A cetamina, também chamada de ketamina em português europeu, é um medicamento que surgiu nos Estados Unidos em 1962, fruto da busca por uma alternativa anestésica mais segura à fenciclidina (PCP), que causava efeitos colaterais intensos e duradouros.
A nova substância foi sintetizada pelo químico Calvin Lee Stevens, e rapidamente passou a ser adotada na medicina, principalmente por seu uso durante a guerra do Vietnã, onde ficou conhecida por sua eficácia e margem de segurança. Inicialmente usada apenas como anestésico em cirurgias, tanto em humanos quanto em animais, a cetamina passou a ganhar destaque também na psiquiatria.
Hoje, seu uso mais moderno e promissor é a cetamina no tratamento da depressão, principalmente em pacientes que não respondem bem aos antidepressivos convencionais.
Cetamina no tratamento da depressão: quando ela é indicada?
A cetamina é indicada para pacientes com Transtorno Depressivo Maior ou episódios depressivos do Transtorno Bipolar, especialmente em casos graves ou resistentes a outros tratamentos. Também pode ser usada como parte de uma estratégia de emergência para reduzir rapidamente sintomas em quadros de depressão profunda, risco de suicídio ou crises intensas.
Cada caso é avaliado individualmente por um médico psiquiatra, que define se o paciente é um bom candidato para a terapia com cetamina.
Formas de administração da cetamina
Atualmente, a forma mais comum de administração no tratamento da depressão é a infusão intravenosa, em dose de 0,5 mg/kg de peso corporal, com duração média de 40 minutos. Esse procedimento deve ser feito em ambiente clínico ou hospitalar, com acompanhamento médico contínuo.
Outras formas de aplicação incluem:
- Subcutânea: alternativa para pacientes com dificuldade de acesso venoso.
- Intranasal (esketamina): versão aprovada pela Anvisa e de aplicação rápida, indicada em casos específicos.
Cada uma dessas opções é indicada conforme as características clínicas e o plano terapêutico de cada paciente.
Como funciona o protocolo de tratamento com cetamina?
Os efeitos da cetamina surgem rapidamente, mas tendem a diminuir após alguns dias. Por isso, o tratamento geralmente é feito com infusões seriadas, com frequência que pode variar entre 2 a 4 dias, dependendo da resposta clínica de cada pessoa.
Em muitos casos, o protocolo pode incluir de 1 a 5 infusões iniciais, com o objetivo de tirar o paciente de um quadro depressivo agudo. Depois disso, o tratamento pode continuar com medicamentos orais ou psicoterapia, como forma de manter os ganhos alcançados.
A cetamina é segura? Quais os efeitos colaterais?
Em doses terapêuticas, a cetamina é considerada segura. Ainda assim, ela pode causar efeitos adversos leves e transitórios, especialmente durante ou logo após a infusão. Entre eles:
- Sensação de desconexão (efeito dissociativo)
- Alterações visuais leves
- Sonolência
- Náuseas
- Aumento da pressão arterial ou frequência cardíaca (monitoradas em ambiente clínico)
Esses efeitos geralmente desaparecem pouco tempo após a infusão, e são bem controlados quando o procedimento é feito com protocolo adequado e supervisão médica.
Qual o diferencial da cetamina em relação a outros antidepressivos?
O grande diferencial da cetamina no tratamento da depressão está na rapidez e intensidade dos efeitos antidepressivos. Ela pode proporcionar melhora significativa já na primeira sessão, algo especialmente importante para pacientes em crise ou com alto grau de sofrimento.
Além disso, ela atua por vias diferentes dos antidepressivos tradicionais, o que faz dela uma alternativa para casos de depressão resistente, quando outros medicamentos não funcionam bem.
Existe risco de dependência?
Quando utilizada corretamente, sob supervisão médica e em doses subanestésicas, o risco de dependência da cetamina é muito baixo. O risco existe principalmente em usos recreativos e descontrolados, que, evidentemente, não têm relação com o uso médico supervisionado.
Por isso, é fundamental que o tratamento com cetamina seja feito somente em locais habilitados, com médicos experientes e estrutura adequada.