Psiquiatra especialista em TDAH: como é uma consulta?
Postado em: 07/02/2025
O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico, de causas multifatoriais, que aparece na infância e cujos sintomas
frequentemente acompanham o indivíduo por toda a sua vida. Ele se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade.
Cerca de 3% a 5% das crianças no Brasil e no mundo possuem o TDAH, e estima-se que 4% da população de adultos também possua o transtorno, segundo a Associação Brasileira do Déficit de Atenção.
O TDAH deve ser tratado tanto pelo psicólogo quanto pelo psiquiatra, fazendo com que as duas áreas atuem juntas no tratamento do transtorno. O psicólogo irá oferecer suporte emocional e trabalhar na pessoa que possui o TDAH, habilidades importantes para que ela tenha uma qualidade de vida melhor.
Já o psiquiatra, irá atuar na parte neuronal e biológica do paciente, receitando medicamentos necessários ao paciente, devido às alterações na região frontal do cérebro do TDAH, que promovem as dificuldade em prestar atenção, de memória, no autocontrole, organização e planejamento.

Diagnóstico do TDAH
O TDAH possui 18 sintomas divididos em 3 grupos:
- 9 relacionados à desatenção;
- 6 à hiperatividade;
- 3 à impulsividade.
Durante a infância, o TDAH se manifesta através de dificuldades na escola e no relacionamento com os colegas, pais e professores. Geralmente os meninos apresentam mais sintomas de hiperatividade e impulsividade, mas meninos e meninas com TDAH são desatentos.
Na adolescência, o transtorno pode ser caracterizado por dificuldade em lidar com regras e limites. E na vida adulta, surgem problemas com desatenção, falta de memória e impulsividade.
Muitos adultos com TDAH têm outros problemas associados, como abuso de drogas, álcool, ansiedade e depressão. É muito comum também que a predominância dos sintomas mude durante a vida, ou seja, uma criança muito hiperativa pode se tornar um adulto muito desatento.
O diagnóstico de TDAH é bastante complexo, sendo predominantemente clínico, baseado na observação e relato dos sintomas pelo paciente e pelos responsáveis.
Para começar a validar a hipótese do TDAH, é necessário que se faça presente, no mínimo, 6 sintomas de desatenção ou hiperatividade e impulsividade em crianças e 5 em adultos.
É normal que pessoas saudáveis apresentam alguns sintomas do transtorno, mas quando eles são muito e apresentam prejuízos funcionais, é fundamental procurar um especialista como o psiquiatra.
Causas do TDAH
Ainda não se sabe o que causa o TDAH, mas acredita-se que é a combinação de alguns fatores ambientais, genéticos e biológicos. Como o transtorno aparece em diferentes regiões do mundo, acredita-se que o transtorno não é secundário a fatores culturais ou conflitos psicológicos.
Alguns genes parecem estar relacionados a uma predisposição para o TDAH, muito mais do que a criação dos pais, que parece não influenciar muito. Estudos também apontam que consumir álcool e nicotina durante a gravidez pode causar alterações no cérebro do bebê, que levam ao desenvolvimento do transtorno, assim como o sofrimento fetal na hora do parto, mas nada muito conclusivo.
Tratamento para TDAH
O TDAH possui tratamento e ele é feito através de uma equipe multidisciplinar com psiquiatra, psicólogo, pedagogo e os responsáveis pela criança.
As intervenções psicoterápicas que mais apresentaram eficácia foram as cognitivo-comportamentais e muitas vezes é necessário também o tratamento psicofarmacológico, através de medicamentos receitados pelo psiquiatra.
É muito importante que haja a educação da família por parte dos profissionais de saúde, com informações claras para lidar da melhor maneira possível com os sintomas do paciente. Além disso, é importante que haja intervenções no âmbito escolar para garantir o melhor desempenho possível da criança.
Também pode ser necessário tratamento reeducativo psicomotor para melhorar o controle do movimento.
Algumas dúvidas sobre o TDAH
Pacientes com TDAH apresentam mais ansiedade ou depressão?
O TDAH é um transtorno neurobiológico cerebral caracterizado por hiperatividade, impulsividade e desatenção. Essas características, principalmente a desatenção, afetam a vida profissional ou escolar do indivíduo, então ele acaba ficando mais ansioso, deprimido e, nos adultos, o relacionamento pessoal entre adultos fica mais difícil.
Um adulto pode ter TDAH e não saber que tem?
Infelizmente, muitas pessoas que trabalham, não conseguem se manter em relacionamentos, são muito desorganizados e esquecidos, têm TDAH e não sabem. É muito comum no dia a dia. Se a pessoa suspeita do problema, é melhor procurar ajuda.
Em todos os casos de TDAH a hiperatividade é presente?
A hiperatividade é mais frequente em crianças e adolescentes. O adulto consegue se controlar mais, embora se perceba que um adulto hiperativo mexe as pernas e pés continuamente.
É verdade que as mulheres têm mais tendência a introspecção do que a hiperatividade?
O que se observa no primeiro grupo é que as meninas têm mais o modo de desatenção que a hiperatividade.
É imprescindível o uso de medicação para o tratamento do TDAH?
É muito difícil um paciente que tem um diagnóstico de TDAH não ser tratado com medicamento. Alguns pacientes conseguem, quando os quadros são muito leves, ficar sem medicamentos, realizando várias atividades e treinamentos, mas a qualidade de vida dos que são tratados com medicação melhora muito.
Quais métodos as escolas e família devem adotar com pessoas que possuem TDAH?
As escolas, quando capacitadas e cientes, podem contribuir proporcionando ao aluno um lugar para sentar que tenha pouco estímulo, de preferência nas primeiras fileiras, e nas datas de prova, dar a opção de prova oral.
A família também deve ser parceira neste contexto, ajudando os filhos no momento dos estudos (afastar televisão, celular), fornecendo um espaço silencioso e tranquilo para que possam ter o momento de dedicação.
TDAH tem cura?
Quando o paciente é tratado desde a infância até a adolescência e tem resposta boa aos treinamentos, em alguns casos o medicamento é suspenso e o paciente continua com uma boa progressão. Mas existem aqueles em que o tratamento é para o resto da vida, principalmente quando iniciado já na idade adulta.
Busque ajude, você não está sozinho!
Conhecer o TDAH é a primeira etapa na hora de buscar tratamento para a doença, uma vez que o preconceito pode prejudicar muito a adesão ao tratamento. Agora que você já sabe tudo sobre o assunto, não hesite em procurar ajuda, agende sua consulta.
Artigo escrito pela Dra. Giuliana Cividanes