Como a depressão pode afetar o relacionamento de um casal?
Postado em: 08/01/2026

Apesar de se tratar de uma doença, a depressão ainda não é levada tão a sério quanto deveria. Infelizmente, ela continua carregando um estigma por quem a desconhece, sendo associada equivocadamente à preguiça, ao fingimento, fraqueza e até à falta de caráter, inclusive pela própria família em alguns casos.
E esse é o motivo pelo qual muitas pessoas deixam de procurar ajuda profissional, seja por vergonha ou desconhecimento dos sintomas.
Num relacionamento a dois, a depressão pode ser vista em diversas situações, como alterações bruscas de humor, desinteresse sexual, momentos de agressividade, desânimo e apatia até para atividades de diversão e lazer, baixa autoestima, desleixo, dentre outras, que acabam por desgastar a relação do casal.
Entretanto, ainda é comum que um dos parceiros apresente alguns desses sintomas e o outro julgue ser um problema no relacionamento, quando, na verdade, se trata de uma depressão.
Por isso, é fundamental saber como identificar esse quadro, para que sejam tomados os cuidados necessários e se busque ajuda profissional, a fim de iniciar o tratamento o quanto antes.
Como saber se é depressão?
Qualquer pessoa pode estar num relacionamento com alguém que esteja enfrentando a depressão e ainda não saber dessa condição do parceiro.
E, muitas vezes, o próprio indivíduo que apresenta os sintomas também acaba não percebendo que pode estar com a doença e associando com supostos problemas de relacionamento do casal.
Portanto, é fundamental conhecer os principais sinais da depressão para que seja possível identificá-la em si mesmo ou no outro. São eles:
- Cansaço extremo;
- Preferência pelo isolamento;
- Mudanças repentinas de humor;
- Alterações no apetite e/ou no peso corporal;
- Distúrbios do sono;
- Sentimentos de culpa, inutilidade ou desamparo;
- Desesperança e pessimismo;
- Se movimentar ou falar mais devagar;
- Dificuldade de concentração;
- Desinteresse por quaisquer atividades, mesmo aquelas que eram prazerosas;
- Episódios de dor no corpo, dor de cabeça, cólicas, ou outros, sem motivo aparente e que não aliviam com tratamento;
- Pensamentos de morte ou suicídio.
A gravidade e a frequência dos sintomas podem variar de acordo com o estágio da doença. Por isso, é importante procurar por um profissional para obter o diagnóstico preciso.
A depressão está diretamente ligada a fatores emocionais, físicos e psicológicos que afetam a qualidade de vida do indivíduo e de quem convive com ele, principalmente no relacionamento com a família e amigos. Portanto, entender as manifestações dessa doença ajuda a compreender melhor o outro.
Como a depressão pode afetar a relação do casal?
Em primeiro lugar, saiba que não é uma tarefa fácil conviver com uma pessoa deprimida. É preciso, sobretudo, demonstrar muita paciência, superar algumas atitudes do cônjuge e expressar carinho e amor de forma frequente.
O fato é que nem todos estão dispostos a isso. Então, o casal que enfrenta esse tipo de situação costuma ter o seu relacionamento sobrecarregado, o que, dependendo das atitudes tomadas, pode até acabar com o casamento.
Uma das principais consequências é a falta de companheirismo, o que contribui para o afastamento do casal e também afeta a vida social, principalmente quando o cônjuge acometido com a doença não permite a aproximação do outro, tampouco aceita o seu afeto ou tentativas de ajuda.
Essa é uma das características mais comuns da depressão, que é a vontade de se isolar de todos. E, na maioria das vezes, o outro parceiro passa a se sentir sozinho, confuso e impotente perante a situação.
Também é bastante comum os pacientes depressivos responderem com certa agressividade às tentativas de aproximação do cônjuge, sem vontade alguma para conversar ou interagir. Então, pode-se imaginar quão difícil é estar num relacionamento em que, ao tentar ter um diálogo, são recebidas palavras de agressividade e negação, sem perspectiva de melhora.
Quando a depressão se encontra num grau mais avançado, ainda pode acontecer de o indivíduo deixar de lado os afazeres domésticos e até mesmo os cuidados pessoais, podendo chegar a um ponto que não só a aparência deixa de ter importância, mas questões básicas de higiene pessoal.
Com a baixa autoestima associada à falta de cuidados pessoais, em algum momento, se confere também a queda da libido, o que pode complicar ainda mais a relação entre o casal e contribui para o sentimento de abandono de si mesmo ou do outro.
Conclusão: o que fazer
Para que o problema não chegue a um ponto extremo, o casal deve procurar a ajuda de um profissional de saúde mental o quanto antes; um para tratar a depressão, e o outro para saber como lidar com o seu cônjuge nesse processo e apoiá-lo da melhor forma. Esse é o caminho mais eficaz para haver maior compreensão e salvar o relacionamento, diante de um quadro de depressão.
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