Como identificar e tratar o transtorno bipolar?
Postado em: 30/04/2025

A principal característica do transtorno bipolar é a alternância, às vezes súbita, entre dois estados emocionais opostos, geralmente tristeza extrema e euforia, que se manifestam respectivamente por meio da depressão e mania, com períodos assintomáticos nos intervalos.
De forma geral, os sintomas são intensos em ambas as fases e, muitas vezes, podem comprometer diversos aspectos da vida do indivíduo, como os relacionamentos afetivos, familiares e sociais, o seu desempenho profissional e até a sua própria segurança e a de quem convive com ele.
Essas oscilações de humor marcadas por reações excessivas são sempre desproporcionais aos motivos que serviram de gatilho, mas pode ser também o resultado de variados estímulos ou ainda não terem ligação com causa alguma. Por isso, o transtorno bipolar é considerado uma doença complexa e, muitas vezes, de difícil precisão na avaliação diagnóstica.
As crises podem acontecer em diferentes intensidades, de leves a moderadas e graves, e também podem variar em termos de frequência e duração. O que causa essa condição é um desequilíbrio de alguns mecanismos do cérebro que atuam na coordenação das emoções positivas e negativas, denominados polos, daí o termo transtorno bipolar.
Estima-se que pelo menos 8% da população adulta brasileira tenha o diagnóstico da doença. Ela pode acometer homens e mulheres de qualquer idade, mas afeta mais comumente a faixa etária entre 15 e 25 anos.
Esse distúrbio pode ser classificado em quatro tipos, de acordo com o grau e duração dos sintomas:
Transtorno Bipolar Tipo I
Consiste nos períodos de euforia (manifestados pela mania), com duração de ao menos uma semana, que se alternam com fases de humor deprimido por algumas semanas a meses. Em alguns casos, também podem ocorrer episódios de agressividade física ou verbal.
Esse tipo de transtorno, com uma intensidade maior, tende a prejudicar vários aspectos da vida do paciente, em especial os seus relacionamentos e desempenho profissional, e, quando se apresenta com alta gravidade, chega ao risco de desenvolver outras condições psiquiátricas e até suicídio, o que pode exigir internação hospitalar.
Transtorno Bipolar Tipo II
Esse quadro é caracterizado por momentos depressivos alternados com fases de hipomania, que se trata de um estado mais leve de euforia, otimismo, excitação, podendo apresentar certa agressividade, mas sem causar prejuízos maiores no comportamento do paciente, a ponto de afetar a as suas atividades e funcionalidade.
Transtorno Bipolar Não Especificado ou Misto
Se enquadram nesse tipo pacientes que possuem os sintomas do transtorno bipolar, mas não com a intensidade ou duração suficiente para serem classificados no tipo 1 ou 2, citados anteriormente.
Transtorno Ciclotímico
De grau mais leve em relação aos outros tipos, o transtorno ciclotímico se caracteriza por oscilações crônicas de humor levemente deprimido com hipomania em períodos curtos de tempo, o que pode acontecer, inclusive, num mesmo dia. Por conta disso, essa condição muitas vezes é ignorada, e o indivíduo passa a ser encarado como alguém com temperamento difícil e instável.
Como identificar o transtorno bipolar?
É importante ter em mente que nem toda mudança de humor é um indicativo da doença. Afinal, um humor linear, ou eutímico, é algo que praticamente ninguém possui. O diagnóstico do transtorno bipolar só pode ser definido a partir da avaliação de um profissional, psiquiatra ou psicólogo, o qual irá analisar o histórico do paciente e como os sintomas interferem no seu dia a dia.
Existem alguns sinais e sintomas comuns nesse quadro que são fortes indicativos da doença. Na fase maníaca, podem ser observados:
- Grande agitação ou irritação;
- Valorização da autoestima e autoconfiança (ilusão sobre si mesmo ou suas habilidades);
- Pensamentos acelerados que se atropelam;
- Hiperatividade;
- Compulsão alimentar e/ou abuso de substâncias (bebidas alcoólicas ou outras drogas);
- Desvios de atenção (distração frequente);
- Dormir menos;
- Comportamento sexual com vários parceiros (aumento da libido);
- Excesso de gastos;
- Mania de grandeza;
- Falta de controle do seu temperamento.
Essa é uma fase que pode levar o indivíduo a tomar atitudes prejudiciais a si mesmo e a quem convive com ele, como pedir demissão do emprego, gastar de modo desenfreado, envolvimentos afetivos impensados e até delírios e alucinações. Na hipomania, os sintomas são bastante parecidos aos citados, porém, com menores intensidade e duração.
Como tratar o transtorno bipolar?
Esse é um quadro que pode ser controlado por meio do tratamento adequado, incluindo o uso de medicamentos, psicoterapia e mudanças no estilo de vida, a partir da adoção de hábitos saudáveis, principalmente na alimentação e no sono, além de cortar o consumo de substâncias psicoativas (cafeína, álcool, anfetamina, etc.), favorecendo o controle dos níveis de estresse.
A prescrição dos medicamentos pode variar de acordo com o tipo e a evolução do transtorno. E a psicoterapia também se trata de uma ferramenta importante no processo, ajudando o paciente no controle das crises e no enfrentamento das dificuldades inerentes dessa condição.
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