Depressão severa: como identificar e tratar esse mal?
Postado em: 22/01/2025
A depressão severa é considerada o “mal do século” e o seu nome está longe de ser apenas um exagero, segundo a Organização Mundial de saúde (OMS). Estima-se que 322 milhões de pessoas possuem a depressão severa, esse número equivale a 4,4% de toda população do planeta terra.
Nós, brasileiros, somos os que mais sofrem de depressão severa, sendo 58% em toda América Latina, principalmente entre os 55 e 74 anos. A depressão severa é capaz de atingir qualquer pessoa, da crianças ao idoso, e requer extrema atenção e acompanhamento adequado para cada caso.

O que é a depressão severa?
A depressão severa pode ocorrer de diversas formas e graus de intensidade, podendo passar por estágios de depressão leve, moderada e severa. Esta última é conhecida como depressão severa, considerada a fase mais grave da doença.
Geralmente, os sintomas de depressão se assemelham a todos os níveis da doença, embora haja diferenças entre eles. Mas o que acentua o problema e faz com que o distúrbio seja considerado severo é, principalmente, a presença de pensamentos de morte, e os suicídios.
Como identificar a depressão severa?
Você sabe quais os sintomas da depressão severa? Listamos alguns dos principais sintomas da doença:
Tristeza permanente
A tristeza relacionada à depressão não é uma tristeza qualquer, passageira, desencadeada por um fato específico ou isolado. É algo que apenas se sente, sem que se possa apresentar um real motivo para isso. O portador de depressão severa sente uma tristeza permanente, que incapacita a pessoa para o lazer, o trabalho e o convívio social.
Isolamento
Além de sentir-se triste e desmotivado, o depressivo costuma isolar-se por completo, evitando contato com pessoas próximas, por não querer dialogar e interagir com ninguém, preferindo ficar sozinho.
Sentimento de culpa
A depressão costuma fazer com que a pessoa sinta-se inútil e culpada pelos problemas e insatisfações, suas e de terceiros. A baixa autoestima se acentua significativamente em quem tem depressão severa.
Distúrbios do sono
O sono sempre é afetado em quem lida com a depressão severa. O cenário mais comum é que a pessoa troque o dia pela noite. Sua tristeza e desmotivação a levam a dormir em excesso durante o dia, numa tentativa de fuga das tarefas e do tempo, o que acaba gerando insônia durante a noite.
Pessimismo
A depressão severa gera uma incapacidade de ver o lado bom das situações. A tristeza profunda antes mencionada, faz com o que a pessoa depressiva perca a capacidade de sentir-se otimista. O desânimo está sempre presente, e é como se a vida estivesse sem cor.
Ausência de autocuidado
A falta de vontade e de iniciativa afetam a vida da pessoa com depressão profunda, chegando a atividades básicas, como a higiene pessoal. O depressivo pode passar dias sem tomar banho e escovar os dentes, por exemplo. As atividades físicas e o cuidado com a beleza também são rapidamente deixados de lado.
Pensamentos suicidas ou de morte
O sintoma mais característico da depressão profunda, e também o mais grave, está relacionado aos pensamentos constantes de morte e até de suicídio. Muitas vezes a pessoa não tem a intenção de se matar, mas deseja profundamente a morte, como forma de acabar com o sofrimento causado pela doença, do qual ela não consegue se livrar.
Outros sintomas
Outros sintomas da depressão severa incluem:
- Irritabilidade;
- Angústia;
- Procrastinação;
- Dificuldade de concentração;
- Insegurança e medo;
- Alterações no apetite;
- Fadiga.
Tipos mais comuns de depressão
Diferente do que se pode imaginar, existem tipos variados de depressão, que são desencadeados por fatores específicos ou que se apresentam de formas distintas. Confira os principais:
Transtorno depressivo maior (depressão unipolar)
O Transtorno depressivo maior é o tipo de depressão mais conhecido e que ocorre com maior frequência. Se apresenta como um quadro de humor deprimido, perda de prazer e interesse em atividades cotidianas, e em casos mais graves, sofrimento, melancolia e incapacidade temporária, especialmente quando não tratada.
Distimia
A distimia é um tipo de depressão considerada mais leve ou de baixo grau. A pessoa que sofre com a distimia costuma apresentar tristeza, baixa autoestima e desânimo, mas de forma menos intensa. Por isso, ela ainda é capaz de realizar suas atividades rotineiras, no trabalho e na vida social.
Entretanto, o portador da distimia sofre com essa depressão por mais tempo, cerca de dois anos, no mínimo. Os sintomas são os mais comuns como a baixa energia, distúrbios de apetite e do sono, pessimismo e irritabilidade.
Isso faz com que o diagnóstico se torne mais difícil, pois essas pessoas costumam ser taxadas como mau humoradas ou pessimistas, e elas próprias acabam não se reconhecendo como depressivas.
Depressão Sazonal
A Depressão Sazonal é um tipo de depressão de difícil diagnóstico, pois há uma mudança de humor repentina, uma vez que a depressão sazonal ocorre por alguns períodos, geralmente relacionados às estações, como outono e inverno, e principalmente em países mais frios, onde os dias são mais curtos nesses períodos.
Outro fator que pode desencadear a depressão sazonal são as festas de fim de ano, como natal e réveillon.
Depressão pós-parto
A depressão pós-parto já tem sua incidência cada vez mais observada e costuma ocorrer em mulheres durante o puerpério, mas em alguns casos, ela pode se manifestar ainda durante a gravidez.
Ela é bem específica e suas causas são decorrentes da grande alteração e do desequilíbrio hormonal no corpo da mulher, que ocorre durante a gravidez e após o parto.
Como tratar a depressão severa?
Precisamos admitir que não é uma tarefa fácil e simples lidar com a depressão, mas sabemos que a doença requer cuidados e atenção, uma vez que envolve, até mesmo, risco de morte. Por mais assustador que seja, a depressão profunda precisa ser encarada de maneira realista, como algo grave.
É preciso que a pessoa que se encontra num estado depressivo seja capaz de identificar os sintomas e reconhecer o problema, mas a participação das pessoas próximas, seja família, amigos ou colegas de trabalho, é fundamental na obtenção do diagnóstico, pois podem ser eles a perceber primeiro que existe algo de errado.
Tão logo os sinais sejam percebidos, é necessário buscar ajuda de um psiquiatra. E, em caso de dúvidas se o que você tem é mesmo depressão, procure o médico para esclarecer essas dúvidas e descartar a hipótese da doença.
Depressão severa tem cura?
A depressão em todas as suas fases requer cuidados e tratamento combinado de medicamentos e psicoterapia, muitas vezes por períodos longos, de um a três anos, dependendo do caso.
Contudo, a doença é totalmente passível de cura, desde que o paciente siga corretamente todas as recomendações médicas e busque ajuda psicológica, já que ela ocorre por uma associação de fatores biológicos, psicológicos e sociais.
É necessária internação em caso de depressão severa?
Como já vimos, a depressão atinge um número bastante expressivo de pessoas, de todas as idades e gêneros. Em alguns casos, a doença afeta de forma profunda o sistema imunológico, o que pode acarretar outras doenças, e por isso o cuidado deve ser redobrado, com atenção permanente.
Estima-se que uma a cada quinze pessoas depressivas apresentam um quadro tão grave que exige hospitalização.
Os sintomas da depressão profunda, como pensamentos constantes de morte e risco de suicídio, além da ausência completa de autocuidado, podem exigir que o paciente precise ser internado numa clínica psiquiátrica, para que haja supervisão médica constante e sejam evitados danos maiores.
O psiquiatra será o responsável pelo diagnóstico da doença e pela prescrição dos antidepressivos. Existem inúmeros tipos de substância capazes de atuar na regulação das disfunções que acarretam a depressão.
O paciente precisa experimentar diversos remédios diferentes até encontrar aquele com o qual se adapte melhor, tenha menos efeitos colaterais e resultado mais rápido e efetivo.
No entanto, nem só com medicação é possível tratar uma depressão de grau severo. A psicoterapia precisa fazer parte do tratamento, e a Terapia Cognitivo Comportamental é o tipo mais recomendado para a depressão.
Quer saber mais sobre depressão severa, agende sua consulta!
Artigo escrito pela Dra. Giuliana Cividanes