Doença de Alzheimer: Tudo o que precisa saber sobre
Postado em: 01/01/2025
Existem mais de 46 milhões de pacientes com Alzheimer no mundo e a estima-se que esse número ultrapasse 130 milhões até 2050, de acordo com a entidade Alzheimer’s Disease International (ADI). A boa notícia é que a ciência já sabe o que fazer para desacelerar o avanço da doença.

Origem do Alzheimer
A origem do nome Alzheimer vem da homenagem feita ao médico Alois Alzheimer, que em 1906 descreveu os sintomas de sua paciente Augustine Deter, de 51 anos.
A paciente desenvolveu perda de memória progressiva, desorientação, dificuldade para compreender as palavras e se expressar, tornando-se incapaz de cuidar de si mesma e falecendo aos 55 anos.
Antes do estudo do Dr. Alzheimer, a doença era comumente conhecida como esclerose ou demência.
Causas do Alzheimer
As causas ainda não são conhecidas, mas sabemos que as proteínas beta-amiloide e tau acumulam-se no cérebro, atingindo principalmente os neurônios e as sinapses (sistema de comunicação dos neurônios). Este acúmulo de proteínas, forma placas que resultam na redução progressiva do número de neurônios e das sinapses nos idosos.
Os primeiros sinais do Alzheimer
O Alzheimer é mais comum a partir dos 65 anos, começando a se manifestar com esquecimentos e dificuldade nas tarefas diárias, como pagar contas, preparar refeições ou fazer compras. O idoso leva mais tempo para fazer essas tarefas e comete mais erros na execução destas. Principais sintomas do Alzheimer:
- Falta de memória para acontecimentos recentes: é possível que a pessoa se lembre de fatos relacionados ao que esqueceu. Ao conversar com o vizinho, esquece seu nome, mas ainda sabe que é seu vizinho, por exemplo;
- Dificuldade para encontrar objetos: os pacientes com Alzheimer não apenas esquecem onde deixaram os objetos, como também podem guardá-los em lugares incomuns;
- Dificuldade para executar tarefas familiares, como vestir a roupa adequada para o verão ou o inverno, ou as etapas para preparar uma refeição;
- Dificuldade para encontrar caminhos conhecidos: pessoas com Alzheimer podem se perder em lugares familiares, como a rua onde moram; esquecem onde estão ou como chegaram lá e também não sabem como voltar para casa. É comum também confundir o dia e a noite;
- Dificuldade para encontrar palavras que exprimem ideias ou sentimentos pessoais: um paciente com Alzheimer esquece até mesmo palavras simples, substituindo-as por palavras incomuns, dificultando a compreensão da fala e da escrita;
- Problemas com imagens e relações espaciais, como dificuldade para ler, avaliar distâncias e identificar cores ou contrastes;
- Irritabilidade, suspeita injustificada, agressividade, passividade, tendência ao isolamento: a pessoa com Alzheimer pode sofrer rápidas mudanças de humor sem motivo aparente, mostrar mais ou menos emoção do que era habitual, ficar horas sentada em frente à televisão, dormir muito mais que o normal e perder o interesse em hobbies.
Diagnóstico do Alzheimer
O Alzheimer não é uma doença com padrões definidos, apresentando em cada paciente uma evolução individualizada. Por isso, seu diagnóstico muitas vezes não é tão simples de ser definido.
Segundo especialistas, o Alzheimer apresenta quatro estágios, o diagnóstico precoce é a melhor chance para o controle dos sintomas e de sua evolução. São eles:
- Forma Inicial: perda de memória recente, dificuldade para encontrar palavras, desorientação no tempo e no espaço, dificuldade para tomar decisões, perda de iniciativa e de motivação, sinais de depressão, agressividade, diminuição do interesse por atividades e passatempos;
- Forma Moderada: dificuldade com atividades do dia a dia, prejuízo da memória, esquecimento de fatos e datas importantes, nomes de pessoas próximas, incapacidade de viver sozinho, dependência de outras pessoas, maior dificuldade para falar e se expressar com clareza, alterações de comportamento, ideias sem sentido e alucinações;
- Forma Grave: incapacidade de registro de dados e muita dificuldade na recuperação de informações antigas, como reconhecimento de parentes, amigos, locais conhecidos; dificuldade para alimentar-se associada a prejuízos na deglutição, dificuldade de entender o que se passa à volta, dificuldade de orientar-se dentro de casa. Pode haver incontinência urinária e fecal e intensificação de comportamento inadequado, dificuldade motora que pode interferir na locomoção e exigir auxílio para caminhar;
- Forma Terminal: restrição ao leito, mutismo, dor à deglutição e infecções intercorrentes.
Logo aos primeiros sintomas, o médico responsável, como o psiquiatra, o geriatra ou neurologista solicitam exames para excluir outras doenças. Entre os exames mais comuns estão hemograma, tomografia ou ressonância magnética do crânio e testes psicológicos para avaliar a capacidade cognitiva.
Prevenção contra o Alzheimer
A proteína beta-amiloide se acumula nos neurônios durante a vida. Assim, para os mais jovens, uma vida saudável, com alimentação equilibrada e atividade física regular, sem consumo de cigarro e de álcool, colabora para retardar o surgimento dos sintomas.
É preciso investir também na escolaridade, aprender coisas novas sempre e evitar as doenças cardiovasculares. Estudar, ler, aprender idiomas, fazer exercícios de aritmética, palavras cruzadas e xadrez, são ótimos recursos para manter a mente ativa.
Tratamento para Alzheimer
O tratamento para desacelerar a degeneração neurológica inclui medicamentos que estimulam a presença de neurotransmissores, para favorecer a memória, a cognição e a atenção. As terapias de apoio, com atividades que estimulam a atenção, a memória, o raciocínio lógico e a linguagem, também devem ser incluídas no dia a dia.
Os jogos, desafios mentais, resgate de histórias e reflexões, bem como treinos específicos para cada paciente e a adoção de um calendário e de uma agenda para auxiliar a orientação temporal.
A tendência ao isolamento deve ser enfrentada, pois o convívio social é peça-chave para o tratamento. Estar com outras pessoas estimula a comunicação, o contato social e o afeto. Porém, é melhor evitar aglomerações e lugares muito movimentados, que podem provocar desorientação e deixar o paciente confuso.
Outro fator essencial é a atividade física e fisioterápica, para estimular a coordenação motora, o equilíbrio, a força muscular e a flexibilidade. Exercícios de alongamento, fortalecimento muscular, aeróbicos leves, como a caminhada, são muito benéficos.
Incidência
No Brasil estima-se que cerca de um milhão de pessoas sofram de Alzheimer. A doença acomete principalmente pessoas entre 60 e 90 anos, podendo aparecer antes e também depois desta faixa de idade, porém com menor frequência.
Desde o início dos sintomas, como o esquecimento, até um comprometimento mais grave, com limitação de marcha e da capacidade de engolir, podem se passar de 10 a 15 anos. A doença em si não leva à morte, mas sim a complicações decorrentes do comprometimento de diversas funções.
Gostaria de saber mais sobre o Alzheimer? Agende uma consulta!
Artigo escrito pela Dra. Giuliana Cividanes