Como identificar o transtorno bipolar e quais os tratamentos?
Postado em: 07/03/2025
O transtorno bipolar, conhecido também como doença maníaco-depressiva, é uma doença mental, que leva o indivíduo a sentir os extremos desde a mania até a depressão que desencadeia mudanças no humor, desânimo físico e queda nos níveis de atividade, bem como, na capacidade de realizar tarefas do dia-a-dia.
A saber, o transtorno bipolar atinge 6 milhões de pessoas no Brasil, onde cerca de 4% das pessoas são de idade adulta, o que motiva a conscientização para dar ao paciente, diagnóstico e tratamento adequado.

Fases do Transtorno Bipolar
Antes de identificar o transtorno bipolar, é preciso entender as fases que o caracterizam, inclusive, ao sofrer de um desses sinais ou conhecer alguém que tenha sofrido, é fundamental buscar ajuda em uma clínica psiquiátrica, a fim de ajudar a pessoa a levar uma vida com mais qualidade.
Algumas pessoas pensam que o transtorno bipolar envolve apenas períodos de alegria, seguidos por elevada tristeza, entretanto, os sintomas não são simples como parece, já que acontece uma transição entre esses extremos emocionais, classificados, como, mania hipomania, e depressão.
Mania
A mania, ou euforia, como também é conhecido, é uma das fases do transtorno bipolar em que a pessoa apresenta um estado elevado de humor, e com ele, um aumento de energia, que não tenha relação com o momento presente do qual o indivíduo está vivenciando.
Ou seja, sem motivos especiais, o paciente costuma apresentar sinais de euforia súbita de tal forma que seu senso crítico e de avaliação ficam afetados, e até mesmo, ausentes, podendo surgir também explosões de raiva e fúria.
Sintomas do transtorno bipolar na fase maníaca
Sabendo as fases típicas de um transtorno bipolar, esses são os sintomas típicos do quadro na fase maníaca:
- Facilidade em se distrair das atividades que estava realizando;
- Redução das horas de sono, o que pode levar a insônia e outros problemas;
- Falta de controle do temperamento;
- Transtornos alimentares, como a compulsão alimentar, ou abuso de álcool e drogas;
- Alterações no comportamento sexual;
- hiperatividade;
- Falta de controle nos gastos ( excesso de consumo).
Os sintomas da fase maníaca merecem uma atenção especial, uma vez que, ela pode durar alguns dias, ou ainda, meses, podendo ser de maior ou menor intensidade, mas que ambos, podem impactar a vida social e econômica do indivíduo.
Hipomania
A hipomania é considerada um grau menos acentuado da mania, uma vez que, não desgasta o portador do transtorno, mantendo-o produtivo em um nível mais acelerado que o comum.
Entretanto, ainda é uma condição que precisa de acompanhamento médico, seguindo, inclusive, as orientações de medicação, a fim de que ela não evolua para o estado de mania ou depressão.
Sintomas do transtorno bipolar na fase hipomaníaca
- Maior criatividade;
- Paciente sente menos necessidade de dormir, sentindo-se bem, com apenas 3 horas de sono;
- Falar mais que o normal;
- Sequência de pensamentos acelerados, a ponto de levar a distração;
- Maior aumento energético e agitação para realizar atividades;
Depressão
A depressão, além de ser uma doença mental, também está inserida em uma das fases do transtorno bipolar, onde, normalmente, se classifica como Transtorno Bipolar tipo 1 a fase que transita entre mania e depressão, enquanto que, a fase de hipomania e depressão, é classificada como Transtorno Bipolar tipo 2.
Sintomas do transtorno bipolar na fase depressiva
- Estado de desânimo constante ou tristeza;
- Problemas de concentração, memorização;
- Dificuldade em tomar decisões;
- Falta de apetite, consequentemente perda de peso;
- Compulsão alimentar, logo, ganho de peso;
- Cansaço ou falta de energia;
- Sensação de culpa, falta de esperança;
- Distúrbios do sono, como insônia ou dormir em excesso;
- Distanciamento dos amigos e familiares.
Como identificar o Transtorno Bipolar?
A saber, o transtorno bipolar acomete desde jovens em torno dos dos 20 anos até adultos, com 30 anos, sendo que, casos mais raros observa-se tal condição em crianças.
Há algumas formas de identificar o transtorno bipolar, já que possui duas classificações:
- Transtorno bipolar tipo I: Quando a pessoa já apresentou, pelo menos uma vez, um um episódio do tipo maníaco, do qual impediu-a de desempenhar suas funções, seguido normalmente, de episódios depressivos.
- Transtorno bipolar do tipo II: A pessoa apresentou anteriormente episódios depressivos graves, podendo ser o hipomaníaco ao maníaco.
E ainda, podem ocorrer casos, em que a pessoa pode ter o transtorno bipolar de grau mais leve que os citados e por não apresentarem os sintomas que caracterizam as fases, são classificadas com transtorno bipolar inespecífico ou transtorno ciclotímico.
Diferença entre transtorno bipolar e mudança de humor comum
O humor linear, aquele cujo está em perfeito equilíbrio (eutímico) é algo que raramente se encontra nas pessoas, já que inúmeros fatores podem alterar esse estado, como os hormônios nas mulheres, ou mesmo, a pressão do trabalho, o que ainda não caracteriza um transtorno bipolar.
Porém, quando se fala do distúrbio propriamente dito, esse se diferencia pela permanência dos sintomas associados ao estado de euforia ou depressão que podem durar semanas e que, durante esse período, é possível que haja a necessidade de intervenção médica, como a internação e tratamento do paciente.
Ou seja, independentemente dos sintomas, é sempre importante a avaliação de um médico, pois mesmo que não seja o transtorno bipolar, é preciso compreender como se encontra os níveis emocionais desse indivíduo, a fim de evitar que outras desordens possam atrapalhar as atividades do dia a dia e a parte psicossocial.
Riscos associados ao transtorno bipolar
Devido à exposição de riscos nos momentos de euforia ou de elevada tristeza na fase de depressão, verifica-se os riscos como tentativas de suicídio, por meio de uso de drogas, outras substâncias e álcool, que principalmente, quando combinados potencializa os sintomas do transtorno bipolar.
Como está relacionada à mente humana, outras desordens podem ocorrer durante os extremos emocionais, como perda de noção da realidade, alterações de humor que levam à agressividade, com oscilações em um mesmo dia ou em médio e longo prazo.
Além disso, o transtorno bipolar pode variar de acordo com a estação do ano, o que quer dizer que, durante o verão e primavera ou épocas mais quentes, as chances da fase do transtorno ser de mania e hipomania serem maiores. O oposto acontece, nas estações e épocas mais frias, quando os sintomas da fase de depressão ficam mais evidenciadas.
Tratamentos para o Transtorno Bipolar
Assim como há os diferentes tipos de transtorno bipolar, há também várias alternativas de tratamento, de acordo com os graus da doença.
O médico psiquiatra é o responsável por diagnosticar e indicar o tratamento mais adequado, que geralmente inclui psicoterapia e medicação.
Considerando o fato, que a doença é vitalícia, o acompanhamento deve ser permanente, a fim de controlar as variações de humor e permitir ao paciente o máximo de bem estar ao longo da vida.
Dentre os tratamentos, é possível também que o médico veja importância em incluir terapias que envolvam assuntos familiares, de concentração e discernimento, além do monitoramento do sono, fundamental para promover a saúde do organismo.
Terapia eletroconvulsiva para transtorno bipolar
Considerando todo o desgaste físico e emocional que a doença causa no paciente, em que, algumas vezes, pode não ter resultados satisfatórios com os tratamentos convencionais, é possível ainda, fornecer alívio por meio da terapia eletroconvulsiva.
Indicada para transtornos mentais graves, a ETC é um procedimento que provoca alterações na atividade cerebral, cujas regiões elétricas são estimuladas por meio de passagem de corrente elétrica, com o paciente sob efeito de anestesia geral.
Apesar do estigma que existe em torno do tratamento, ele possui benefícios, quando se compara à resposta medicamentosa que demora mais tempo e que, enquanto isso, o paciente ainda sofre dos sintomas.
No caso ainda, de mulheres gestantes, o tratamento ETC, é indicado, quando essa condição não permite a ingestão de medicamentos, devido os riscos de aborto e mauformações fetais.
Saiba mais sobre o transtorno bipolar. Agende uma consulta e cuide de sua saúde mental.
Artigo escrito pela Dra. Giuliana Cividanes